{"id":2390,"date":"2019-05-21T12:06:19","date_gmt":"2019-05-21T11:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/beta.outra.pt\/?p=2390"},"modified":"2020-01-09T18:06:59","modified_gmt":"2020-01-09T17:06:59","slug":"entrevista-a-ernesto-gonzalez-bear-bones-lay-low","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/beta.outra.pt\/eng\/entrevista-a-ernesto-gonzalez-bear-bones-lay-low\/","title":{"rendered":"Interview with Ernesto Gonz\u00e1lez (Bear Bones, Lay Low)"},"content":{"rendered":"<p>We spoke with Ernesto Gonz\u00e1lez (Bear Bones, Lay Low and other projects) before his performance at ADAO about his Portuguese tour, the Belgian and Venezuelan music scenes and much more. You can read it all below:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/eyesofmadnesspedroroquephotography\"><em>Foto cortesia do Pedro Roque - Eyes of Madness<\/em><\/a><\/p>\n<p><strong>Hi Ernesto, you\u2019ve been touring Portugal for a little while now, what\u2019s your experience been like so far?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, tenho estado em bastantes s\u00edtios desde o norte at\u00e9 aqui ao Barreiro, e tem sido bastante especial na verdade...eu n\u00e3o sabia bem o que esperar, mas tem mesmo excedido as minhas expectativas \u2013 tenho tocado em todo o tipo de espa\u00e7os todas as noites, conhecido pessoas mesmo maravilhosas e m\u00e1gicas, e os concertos tem sido constantemente bons, mesmo eu sendo bastante cr\u00edtico do meu pr\u00f3prio trabalho...n\u00e3o sei, esta tour tem sido tipo: \u201cIsto \u00e9 fixe, n\u00e3o estou a fazer tantas asneiras, ou ent\u00e3o estou a enganar-me da maneira certa...\u201d e o pessoal tem gostado da m\u00fasica todas as noites, apesar da ideia que eu tinha dos p\u00fablicos em Portugal serem mais reservados. Pelo menos em muitos dos s\u00edtios onde toco, como s\u00f3 sou eu a tocar, as pessoas chegam, est\u00e3o meio silenciosas ao inicio e depois dependendo da situa\u00e7\u00e3o podem come\u00e7ar a entrar mais na coisa e come\u00e7ar a dan\u00e7ar. Mas \u00e9 engra\u00e7ado, pensava sempre que n\u00e3o estavam a gostar muito, mas depois no fim era tudo bastante bem recebido. Por isso sim, isto tem sido uma tour memor\u00e1vel, gra\u00e7as \u00e0 Ya Ya Yeah Music.<\/p>\n<p><strong>Your music has a very deeply organic feel, despite your usage of electronic paraphernalia. Can you tell us a bit about Bear Bones, Lay Low\u2019s history, inspiration and references?<\/strong><\/p>\n<p>Comecei este projecto talvez h\u00e1 11 anos, ou at\u00e9 mais, tinha 16 anos...as primeiras grava\u00e7\u00f5es que fiz foram lan\u00e7adas com este nome. Isto era suposto ser s\u00f3 um projecto de noise \u2013 quando tinha 16 anos gravei muita coisa sozinho inspirado pelo underground do noise e da m\u00fasica psicad\u00e9lica que estava a acontecer no inicio de 2000, principalmente coisas dos Estados Unidos e da Europa. Foi quando cheguei \u00e0 Europa, \u00e0 B\u00e9lgica, desde a Venezuela que entrei mesmo nesta m\u00fasica underground, notei que toda a gente estava a fazer a sua pr\u00f3pria cena e isso inspirou-me, e comecei a explorar v\u00e1rias coisas diferentes, um era uma esp\u00e9cie de projecto de folk psicad\u00e9lico, o outro era suposto ser mais noise com guitarras...e Bear Bones era mesmo um projecto de harsh noise com coisas simples, e era o projecto de que eu gostava menos, na realidade (risos). Mas como era a \u00fanica coisa que conseguia fazer ao vivo, acabei por come\u00e7ar a tocar com esse nome, e tudo o que andava a fazer na altura acabou por se fundir no que fa\u00e7o agora, no projecto Bear Bones, Lay Low.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o o projecto continuou a evoluir \u2013 quanto mais&nbsp;ou\u00e7o diferentes tipos de m\u00fasica mais eles me influenciam, e acabo por aplicar o que aprendi de outros discos e m\u00fasicos no meu som. Um evento importante foi quando um amigo meu apareceu com um Korg MS-10, um sintetizador anal\u00f3gico, e isso mudou mesmo a minha vida \u2013 eu n\u00e3o sou um viciado em sintetizadores mas adoro-os, esses sons electr\u00f3nicos...isso foi o ponto de viragem, e comecei a desenvolver mais a minha m\u00fasica em vez de ficar s\u00f3 no noise e no drone, que era o que fazia com as cenas de Bear Bones at\u00e9 ai 2009 e 2010, e comecei a fazer musica mais parecida com, tipo, m\u00fasica c\u00f3smica...ouvia coisas como Cluster, os primeiros discos de Tangerine Dream, toda essa m\u00fasica alem\u00e3, o Conrad Schnitzler deixou-me parvo, ainda me deixa parvo hoje em dia, \u00e9 um dos artistas que eu mais admiro.<\/p>\n<p>Eventualmente comecei a tocar com outro amigo meu chamado Mike, criamos uma banda juntos chamada Tav Exotic, e come\u00e7amos a tocar coisas mais...vamos dizer m\u00fasica de dan\u00e7a, coisas electr\u00f3nicas mas com ritmo, e eu tamb\u00e9m comecei a integrar isso com Bear Bones, por isso agora \u00e9 um misto de musica electr\u00f3nica c\u00f3smica e repetitiva com ritmos pesados e um som meio maximalista, tentar fazer sons que s\u00e3o mesmo gigantescos...inspiro-me muito nos Skullflower e Sunroof, essas bandas ainda me inspiram hoje em dia...Tudo isto evoluiu de aprender com outros discos, ouvir muita coisa, gosto sempre de descobrir musica nova...n\u00e3o sinto que tenha algo de particularmente original, s\u00f3 pego em coisas daqui e dali e fa\u00e7o uma colagem.<\/p>\n<p><strong>Over the years you\u2019ve been a part of several projects, including Silvester Anfang, Steenkiste \/ Hellvet, and recently Tav Exotic (with Weird Dust), and released splits with many artists: what do you look for in these collaborations and how does the creative process differ from your own solo music?<\/strong><\/p>\n<p>Suponho que quando come\u00e7o a colaborar com outras pessoas que isso de alguma forma come\u00e7a de uma ideia que tivemos juntos. Com os Tav Exotic, o Mik tamb\u00e9m tem muitas influ\u00eancias de m\u00fasica c\u00f3smica, temos gostos muito similares, mas a abordagem era suposto ser um pouco menos...barulhenta, quer\u00edamos fazer mais coisas com beats... Mas agora que penso nisso, nestas colabora\u00e7\u00f5es e projectos acaba tudo a ser o que sai naturalmente \u2013 quando o Mike e eu tocamos fazemos este tipo de coisa, m\u00fasica electr\u00f3nica sequenciada e repetitiva, est\u00e1s a ver? Quando toco com os meus amigos do Jooklo Duo, a Virginia e o David (temos um projecto de electr\u00f3nica abstracta chamado YADER), o que fazemos s\u00e3o improvisa\u00e7\u00f5es electr\u00f3nicas, por isso vejo isto mais em termos de ficar a conhecer as pessoas, \u00e9 como uma conversa que consigo ter com algumas pessoas. Tu n\u00e3o usas a mesma linguagem com toda a gente, n\u00e3o falas com os teus av\u00f3s da mesma forma que falas com os teus amigos, e \u00e9 a mesma coisa nestas colabora\u00e7\u00f5es, \u00e9 um dialogo e um processo de ficar a conhecer pessoas, e o que sai \u00e9 uma extens\u00e3o natural desta comunica\u00e7\u00e3o, por isso embora possam haver ideias precisas sobre um som, tudo aquilo em que me tenho envolvido tem sido sempre bastante org\u00e2nico, digamos assim...<\/p>\n<p>Estou sempre a tentar fazer m\u00fasica com outras pessoas e acho que a melhor forma de o fazer \u00e9 quando s\u00e3o s\u00f3 duas pessoas, talvez tr\u00eas...quer dizer, nos Silvester Anfang \u00e9ramos tantos que mais para o fim, por volta de 2012 (eu juntei-me \u00e0 banda em 2006) come\u00e7ou a ser dif\u00edcil \u2013 \u00e9ramos sempre entre seis e oito, nove pessoas, e ao fim de algum tempo toda a gente come\u00e7ou a afastar-se, enquanto que se forem s\u00f3 duas pessoas d\u00e1 para se fazerem coisas maravilhosas, \u00e9 como um bom casal...(risos)<\/p>\n<p>It\u2019s hard to manage a big band especially because there\u2019s always someone who has to take the lead, and not everyone is alright with that arrangement\u2026but it\u2019s a mirror of how society works, you can kind of draw a parallel line there, some people are more eager to take initiative to create a structure, other people are there to question that structure, other people have more of a background role, and everybody kind of finds their own place to make things work, but when you don\u2019t know your own place and you start criticizing other people\u2019s roles, that\u2019s when things start to get dysfunctional and it just kind of breaks apart. What I\u2019ve learned in that band is that\u2019s very important to know your place, sometimes you\u2019re the leader, sometimes you\u2019re in the background, you just have to learn it.<\/p>\n<p><strong>Are there any specific artists you\u2019d love to collaborate with?<\/strong><\/p>\n<p>Deixa ver\u2026 Fogo, claro que adorava fazer uma jam com o Matthew Bower, eu adoro-o, isso seria incr\u00edvel, s\u00f3 tocar guitarra com aquele gajo. Hmm\u2026a maior parte das pessoas com quem estou ansioso por colaborar s\u00e3o amigos, tirando esses her\u00f3is que sempre tive, como o Matthew Bower, o Ben Chasny dos Six Organs of Admittance...fico mais excitado ao conhecer novas pessoas com as quais posso criar uma amizade e fazer m\u00fasica. Recentemente conheci umas pessoas com as quais estou bastante interessado em come\u00e7ar algo, como uma banda do Reino Unido chamada Guttersnipe, n\u00e3o sei se j\u00e1 ouviste falar deles, mas s\u00e3o uma cena mesmo freak rock, rock maluco, um duo meio tipo Arab on Radar mas mais dementes, e a guitarrista tornou-se uma grande amiga minha e come\u00e7amos a colaborar e a fazer m\u00fasica juntos. \u00c9 dif\u00edcil pensar nisto assim de repente...talvez tocar com os Black Witchery tamb\u00e9m fosse fixe (risos). Eu estou sempre aberto a fazer m\u00fasica com pessoal, s\u00f3 juntarmo-nos e tocar, e se a coisa funcionar...isso \u00e9 que me deixa excitado.<\/p>\n<p><strong>You\u2019ve been living in Brussels, Belgium for many years now, can you tell us about the city (and the country\u2019s) music scene and how it welcomed you? Are there any good bands or musicians you want to recommend?<\/strong><\/p>\n<p>A cena tem mudado desde que me mudei para l\u00e1 \u2013 sinto que em Bruxelas o underground hoje em dia cresceu, pelo menos o tipo de m\u00fasica pela qual me interesso e o tipo de s\u00edtios a que vou...em grande parte devido \u00e0 enorme quantidade de Franceses que vieram viver em Bruxelas e que d\u00e3o muita vida ao underground l\u00e1, sinto que se n\u00e3o fossem eles...ainda est\u00e1 l\u00e1 a velha guarda que tem feito coisas desde sempre no underground experimental, no underground da m\u00fasica livre \u2013 gosto de lhe chamar isso porque \u00e9 s\u00f3 uma \u00e1rea aberta para todos os tipos de m\u00fasica onde o estilo n\u00e3o \u00e9 muito importante, mas sim a iniciativa de fazer m\u00fasica pelos teus pr\u00f3prios meios.<\/p>\n<p>Por isso sim, no underground da m\u00fasica livre n\u00e3o h\u00e1 assim tantas associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es genuinamente belgas a fazer coisas acontecer, mas felizmente h\u00e1 todo este pessoal estrangeiro a vir fazer coisas, abrir espa\u00e7os...mas tamb\u00e9m h\u00e1 tantas coisas que ainda n\u00e3o conhe\u00e7o em Bruxelas, mesmo passados 15 anos l\u00e1, a cidade est\u00e1 cheia de surpresas e isso \u00e9 uma coisa muito fixe sobre a B\u00e9lgica \u2013 n\u00e3o parece assim t\u00e3o divertida \u00e0 superf\u00edcie, parece um sitio cinzent\u00e3o, mas se fores procurar encontras todo o tipo de coisas incr\u00edveis a acontecer....<\/p>\n<p>Posso sempre recomendar a Orphan Fairytale, \u00e9 uma artista incr\u00edvel de Antu\u00e9rpia. Ela n\u00e3o anda a tocar assim tanto ultimamente mas ainda faz m\u00fasica, e toda a gente devia espreitar os discos dela porque s\u00e3o mesmo lindos e \u00fanicos, ela \u00e9 um dos nomes grandes e importantes no underground Belga e vai sempre ser mencionada. Tipo, at\u00e9 estive na Peakaboo Records em Lisboa e eles tinham um disco dela. Tamb\u00e9m h\u00e1 uns Franceses a viver l\u00e1 n\u00e3o sei h\u00e1 quanto tempo, mas s\u00e3o amigos meus, um deles \u00e9 o Loto Retina e \u00e9 assim um geniozinho, tem tipo 24, 25 anos mas \u00e9 muito avan\u00e7ado, faz m\u00fasica digital abstracta maluca mas com imensa alma e com skills, e h\u00e1 um amigo dele, um Franc\u00eas chamado Apulati Bien, ele faz m\u00fasica electr\u00f3nica esquisita inspirada pelos prim\u00f3rdios do Jungle e do hip-hop do sul nos Estados Unidos, mas misturado com umas vibes malucas \u00e0 Asmus Tietchens...a lista continua, a namorada do gajo, a Victoria, \u00e9 uma artista sonora incrivel, faz umas pe\u00e7as de r\u00e1dio mesmo fixes, e h\u00e1 outros gajos que tem uma label chamada Third Type Tapes, eles lan\u00e7am beats e noise e organizam estas festas loucas, andam agora a trabalhar num sound system para poder viajar de um lado para o outro e se tudo correr bem tamb\u00e9m vou poder viajar com eles...em Gent h\u00e1 o Kohn, que tamb\u00e9m \u00e9 uma figura importante na m\u00fasica electr\u00f3nica Belga, o tipo j\u00e1 faz tanta coisa diferente...eu podia continuar, as coisas v\u00e3o surgindo, mas deviam investigar, ficavam surpreendidos com a quantidade de coisas que acontecem l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>I feel like the situation here in Portugal is sort of similar, if you\u2019re not in the country you\u2019re not familiar with all of the stuff that goes on here.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, esta tour foi fant\u00e1stica, esta \u00e9 a ultima noite, mas uma coisa que me aborreceu um bocadinho foi n\u00e3o poder partilhar o palco com mais artistas Portugueses. S\u00f3 no Porto \u2013 toquei l\u00e1 duas vezes, um show a solo e um em colabora\u00e7\u00e3o com um percussionista, o Jo\u00e3o Pais Filipe e o Julius Gabriel, um saxofonista alem\u00e3o que l\u00e1 vive (nota do editor: os dois formam o duo Paisiel), e at\u00e9 gravamos esse concerto, a ideia \u00e9 lan\u00e7a-lo se tudo correr bem, mas tirando essa noite e hoje n\u00e3o pude ver mais nenhuns artistas Portugueses, e sei que h\u00e1 muitos...Por isso sim, estou ansioso por ver o Ricardo (Martins) tocar bateria. E espero que a pr\u00f3xima vez que c\u00e1 venha possa explorar mais, porque parece uma cena musical muito interessante, n\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica experimental como no que toca aos DJs...<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que venho c\u00e1 a s\u00e9rio, estive c\u00e1 h\u00e1 5 anos em tour com Tav Exotic, a Orphan Fairytale e mais algumas pessoas, fizemos uma tour em que eramos 6 ou 7 pessoas num autocarro p\u00e9ssimo a vir directos da B\u00e9lgica, viemos c\u00e1 e demos alguns concertos nas Caldas, no Porto, Lisboa, e mais alguns sitios....quando viajas com tanta gente parece que est\u00e1s numa matilha sabes, est\u00e1s numa fam\u00edlia, mas agora que estou a viajar sozinho consigo perceber e aprender mais sobre o pa\u00eds. Espero conseguir ir ainda mais fundo para a pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>What was the Venezuelan music scene like before you left? Do you keep in touch with other musicians there at all? How do you feel about the country\u2019s current situation?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, eu sai bastante jovem, aos 15, por isso nessa altura n\u00e3o estava em nenhum tipo de cena, tinha uma bandinha e toc\u00e1vamos na escola, em festas, coisas assim. N\u00e3o estive muito envolvido quando l\u00e1 estava mas depois quando me mudei para a B\u00e9lgica e comecei a lan\u00e7as coisas de Bear Bones e a por m\u00fasica no MySpace descobri um tipo chamado \u00c1lvaro Partidas que fazia m\u00fasica noise, harsh noise, l\u00e1 na Venezuela, e contactei-o logo. Eu tinha 16 anos e ele tinha ai uns 30 na altura por isso quando nos encontramos ele ficou logo tipo \u201cmeu, tu \u00e9s um puto, mas que raio\u201d, porque fal\u00e1vamos online e nos conhecemos quando eu costumava voltar muito \u00e0 Venezuela no ver\u00e3o (infelizmente j\u00e1 n\u00e3o volto l\u00e1 h\u00e1 5 anos). Mas desde o momento em que nos conhecemos come\u00e7amos a dar concertos juntos, e os mais memor\u00e1veis foram numa esp\u00e9cie de galeria de arte chamada \u201cOrganizaci\u00f3n Nels\u00f3n Garrido\u201d. Esse gajo, o Nels\u00f3n Garrido, era um fotografo e tinha imensas fotos mesmo sangrentas de org\u00e3os e coisa do g\u00e9nero, acho que muito material dele foi usado por bandas de grindcore, mas o sitio era maravilhoso e era o \u00fanico sitio onde pod\u00edamos tocar m\u00fasica noise e as pessoas gostavam, porque sempre que toc\u00e1vamos em bares as pessoas ficavam mesmo zangadas e come\u00e7avam a gritar \u201cisto n\u00e3o \u00e9 m\u00fasica, isto \u00e9 polui\u00e7\u00e3o\u201d...Lembro-me de tocar em bares de desporto e as pessoas ficavam sempre com um ar de \u201co que raio se est\u00e1 a passar aqui\u201d, mas chateadas, para eles n\u00e3o era m\u00fasica...<\/p>\n<p>Mas sim, essas foram as minhas \u00fanicas experi\u00eancias com a cena musical na Venezuela. O \u00c1lvaro ainda l\u00e1 est\u00e1, falamos recentemente mas j\u00e1 n\u00e3o o faz\u00edamos h\u00e1 anos...espero que ele venha \u00e0 Europa e que possamos fazer uma tour juntos, ele tem l\u00e1 outra banda, um trio noise com guitarras....mas sabes, a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela agora est\u00e1 t\u00e3o incerta, ca\u00f3tica e catastr\u00f3fica que n\u00e3o h\u00e1 mesmo tempo para este tipo de coisas, as pessoas est\u00e3o ocupadas com a sua sobreviv\u00eancia, ou ent\u00e3o est\u00e3o a sair do pa\u00eds. J\u00e1 todos os meus amigos da minha terra sa\u00edram \u2013 eu fui o primeiro em 2003, mas a partir dai todos os anos sai mais algu\u00e9m, e mais algu\u00e9m, e no ano passado j\u00e1 tinham sa\u00eddo todos, acho que n\u00e3o tenho nenhum amigo de inf\u00e2ncia ainda a viver l\u00e1. Tenho l\u00e1 fam\u00edlia, a minha av\u00f3, os meus pais, por isso tenho mantido o contacto, mas j\u00e1 n\u00e3o vou l\u00e1 h\u00e1 cinco anos...Acho que est\u00e1 na hora de voltar, sabes? Deixa ver o que acontece com toda a loucura que se est\u00e1 a passar por l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>What\u2019s next for Bear Bones, Lay Low? Any new music on the horizon?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre, mas sou muito lento a gravar e tenho dado muitos concertos...mas estou sempre a gravar, e quando acabo alguma coisa mando-a ao pessoal que me pede...mas acho que assim que voltar a casa tenho mesmo que acabar um split com o Black Zone Myth Chant, de Fran\u00e7a. Ele \u00e9 um amigo meu, j\u00e1 nos conhecemos desde que ele tocava musica psicad\u00e9lica de guitarra enquanto High Wolf, e finalmente vamos fazer um split juntos depois destes anos todos. Tamb\u00e9m tenho um EP ai a vir com uma m\u00fasica de para ai 15 minutos, mais um remix que algu\u00e9m vai fazer, para uma nova editora de uns gajos em Offenbach que fazem festas chamadas Hotel International, chamada Ok Spirit.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m tenho que acabar coisas de Tav Exotic quando voltar a casa, mas logo tr\u00eas dias depois vou em tour com os Jooklo Duo (tens que ir espreitar as coisas deles, eles s\u00e3o incr\u00edveis) e depois vamos fazer uma resid\u00eancia em Roterd\u00e3o, num est\u00fadio de sintetizadores louco que t\u00eam por l\u00e1...tamb\u00e9m tenho uma banda nova chamada Carcass Identity, que \u00e9 mais&nbsp;techno, e vamos come\u00e7ar a dar concertos.<\/p>\n<p>Por isso sim, ando sempre a fazer coisas, mas n\u00e3o tenho pressa de lan\u00e7ar discos ou fazer seja o que for, acho que as coisas saem quando t\u00eam que sair. N\u00e3o vejo grande sentido, nos dias que correm, de ter esta press\u00e3o de \u201cvais em tour, tens que ter um disco\u201d&nbsp; - j\u00e1 n\u00e3o estamos nos 60s, se quiser partilhar m\u00fasica posso po-la online de gra\u00e7a e chega \u00e0s pessoas mais depressa, por isso os discos para mim t\u00eam que ser algo que v\u00e1 durar... esse \u00e9 o verdadeiro prop\u00f3sito dos discos, n\u00e3o algo para vender, mas algo que deixas para tr\u00e1s...os discos, especialmente o vinil, se se molharem ou ficarem bolorentos ainda ficam meio utiliz\u00e1veis, s\u00f3 desaparecem com um desastre natural, mas a informa\u00e7\u00e3o digital parece mais fr\u00e1gil e que pode desaparecer assim do nada...apesar de precisarmos de todos esses formatos. Mas sim, n\u00e3o tenho pressa, estou a fazer as coisas dia a dia.<\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falamos com o Ernesto Gonz\u00e1lez (Bear Bones, Lay Low e outros projectos) antes do seu concerto na ADAO sobre a sua tour Portuguesa, as cenas musicais Belga e Venezuelana e [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":2,"featured_media":2391,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_EventAllDay":false,"_EventTimezone":"","_EventStartDate":"","_EventEndDate":"","_EventStartDateUTC":"","_EventEndDateUTC":"","_EventShowMap":false,"_EventShowMapLink":false,"_EventURL":"","_EventCost":"","_EventCostDescription":"","_EventCurrencySymbol":"","_EventCurrencyCode":"","_EventCurrencyPosition":"","_EventDateTimeSeparator":"","_EventTimeRangeSeparator":"","_EventOrganizerID":[],"_EventVenueID":0,"_OrganizerEmail":"","_OrganizerPhone":"","_OrganizerWebsite":"","_VenueAddress":"","_VenueCity":"","_VenueCountry":"","_VenueProvince":"","_VenueZip":"","_VenuePhone":"","_VenueURL":"","_VenueStateProvince":"","_VenueLat":"","_VenueLng":""},"categories":[360,10],"tags":[325,363,326,327],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v20.4 - 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