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Violeta Azevedo é uma musica Lisboeta que constroi paisagens sonoras expansivas com a sua flauta processada. Tivemos o prazer de falar com ela antes da sua actuação na terceira Noite da Raposa sobre o seu trabalho a solo e a sua ligação com o seu instrumento, entre outras coisas.
Foto da Violeta Azevedo: Ana Viotti. Fotos do Formanta EMS 01 cortesia Violeta Azevedo.
Integras vários projectos musicais, incluindo Jasmim, haraem e as Savage Ohms. Podes falar-nos sobre como este teu trabalho a solo difere dos restantes projectos e nas abordagens e inspirações por detrás dele? Planeias gravar algum registo a solo no futuro próximo?
Sim, espero gravar ainda este ano. Já tenho algumas coisas gravadas, mas ainda não editei nada nem pus cá fora. Acho que por ser só eu a tocar fico muito free naquilo que quero fazer, uso bastantes pedais, mais do que nos outros projectos (embora nos outros projectos também tenha liberdade para isso), mas também é outro tipo de música. Quanto toco sozinha, isto é o que me sai naturalmente, enquanto que com outras pessoas essa interação leva a resultados diferentes.
Tens dado muitos concertos a solo, ultimamente?
Sim, dei um no Irreal, dei no Lounge, no Desterro, toquei nos anos do Salgado, há dois anos...tenho dado alguns por acaso, tem sido fixe, é bom para evoluir e experimentar coisas diferentes.
Houve algum que se destacasse para ti?
O do Irreal, até agora foi o meu preferido, foi onde eu estava mesmo mais à vontade e onde fiz aquilo que queria do inicio ao fim, sempre em controlo e com imenso gosto de estar a tocar...foi muito fixe. Eu inspiro-me sempre no espaço quando estou a tocar, faço uma peça própria para esse espaço.
Ia justamente perguntar-te isso – quando dás estes concertos a solo já vens com uma ideia do que vais fazer, ou é completamente improvisado?
É meio-meio: tenho uma composição, mas é a base – sei o que usar de efeitos para chegar ao som que quero, mas de resto o que eu toco é muito improvisado com base nisso.
O que te atrai para a flauta transversal enquanto instrumento? Tens algum “heroi” ou “heroina” da flauta de que gostes particularmente?
Hmm...gosto de alguns flautistas, mas acho que o que me inspira mais na flauta é mesmo o som e o que consigo fazer com os efeitos, e também uso a voz, que é muito parecida com a flauta de certa forma, tem uma interação similar com os pedais. Tenho uma heroina que é a Delia Derbyshire, mas ela não toca flauta...mas acho que tem a ver com o som, e as texturas. A flauta é o instrumento que eu domino mais, mais que qualquer outro instrumento, e consigo gerar texturas que me interessam quando a uso, cada vez mais.
Como é que chegaste à flauta? Foi algo que tivesses estudado na escola, ou algo do género?
A minha mãe quis que eu aprendesse um instrumento, e deu-me uma lista. Eu fechei os olhos e apontei para lá e calhou-me a flauta transversal, por isso eu comecei a aprende-la com 9 anos. Era um ensino clássico, que eu odiei, e desisti ai por volta dos 15. Só passado anos, ai aos 20, é que voltei a tocar flauta. Ai já foi a improvisar – tocar mais formalmente também gosto, mas antes nunca tinha experimentado improvisar e fazer música minha, por mim própria, não sabia o que era gostar de tocar flauta, sequer. Só depois.
Trabalhas com o Rui Antunes na Analog-Repair, que faz restauro e reparação de sintetizadores e outro material electronico. Qual foi o instrumento / material mais interessante que já vos foi parar às mãos?
Estivemos a arranjar um synth que compramos, um synth russo que era usado para filmes e que é o melhor synth que eu experimentei até hoje, é incrivel, chamado Formanta EMS 01. É um sintetizador grande, com um teclado de orgão em baixo e em cima uma parte de synth mono, com um filtro parecido com o do Polivoks mas melhor, pode fazer sons parecidos mas também faz mil outras coisas. Foi um amigo nosso que já nos tinha arranjado um Polivoks que nos perguntou se queriamos este quando o encontrou – vinha estragado, como costuma ser o caso, mas tratamos disso. Mas adoro todos os synths analógicos, cada um tem o seu interesse.
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