Rita Silva

Rita Silva é uma compositora e instrumentista portuguesa, actualmente a estudar no Instituto de Sonologia na Holanda. Estreia-se no Barreiro trazendo na bagagem o muito recente álbum “The Inflationary Epoch”, que se sucedeu à sua estreia em 2021 com “Studies Vol. I”.

 

Recorrendo à improvisação com sintetizadores modulares e técnicas generativas de programação, Silva indiciou nesses primeiros estudos uma abordagem devedora de pioneiras como Suzanne Ciani, Laurie Spiegel ou Delia Derbyshire – há até um tema com o seu nome para deixar clara a linhagem; em “The Inflationary Epoch” mais confiançuda e plena de propósito, assume um pendor mais grandioso e elevado, através de cascatas de arpejos num fluxo fractal que se vai mutando de forma hipnótica e algo alucinatória, num cosmos psicoacústico onde também pairam artistas como Caterina Barbieri ou Jessica Ekomane, nomes dos grandes que já tivemos o prazer de apresentar em OUT.FEST’s mais ou menos recentes.

Daniel Levin, Rodrigo Pinheiro & Hernâni Faustino

Trio de nomes grandes da música improvisada e jazz aventureiro nacional e internacional, unindo o contrabaixo de Hernâni Faustino e o piano de Rodrigo Pinheiro ao violoncelo do norte-americano Daniel Levin, descrito pela Wire como “um dos mais brilhantes violoncelistas contemporâneos”.

 

De esperar uma linguagem que dá resposta, em tempo real, às inclinações mais líricas destes três músicos, com as guinadas imprevistas e oblíquas que fazem parte da sua inquietude a fazerem-se quase certamente sentir. No final, uma hipótese de música de câmara que una o jazz, a clássica e o desconhecido.

Alex Zhang Hungtai, Pedro Sousa & Gabriel Ferrandini

Novo encontro entre Alex Zhang Hungtai (o sr. Dirty Beaches que já fez por merecer o epíteto de português honorário) e os muito nossos Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa – numa das múltiplas iterações desta aproximação já com vários anos e que inclui as mais diversas formações com mais ou menos membros (com David Maranha ou Júlia Reis, por exemplo) e os diversos nomes que as acompanham (Ketú ou Rahú, ambos nomes em discos na editora Futuro Familiar).

 

Unidos por uma expressão que, sendo eminentemente percussiva, é complementada pelos saxofones (de Pedro Sousa mas também, cada vez mais, de Zhang Hungtai), procuram, em cada momento de partilha, uma evocação da espiritualidade que pode ser a do jazz fora-deste -mundo do mestre Coltrane ou de tantos outros exploradores intrépidos e espíritos inquietos da década de 60 como Ayler, Sanders ou Joe Henderson – mas não é aí que querem chegar, é daí que partem para os seus e nossos desconhecidos.

Blacks’ Myths / Inês Malheiro

Diretamente de Washington, Estados Unidos, os Blacks’ Myths são o duo de Warren Crudup III (bateria) e Luke Stewart (baixista, que muitos reconhecerão como membro dos sublimes Irreversible Entanglements). Entre qualquer coisa entre o free-jazz, o pós-hardcore e o noise, a dupla, já com dois discos no bolso, tem vindo a dinamitar as noções mais-ou-menos pré-feitas da herança musical afro-americana, refletindo de forma explosiva as tensões e bagagens históricas indissociáveis da comunidade. Prazer imenso em receber um show da banda na sua primeira vinda ao país.

Inês Malheiro é uma bracarense que emergiu fulgurante no último ano com os maravilhosos “Deusa Náusea” e “Liquify, Spread and Float”, discos que reflectem uma visão simultaneamente consolidada e aberta, em que todos os caminhos parecem ainda possíveis nas múltiplas intersecções entre o rock, o glitch, o jazz e qualquer coisa que ainda pode ser canção e ainda pode ser pop. Espelho fascinante da Era que é todas-as-coisas-ao-mesmo-tempo, no que de bom isto possa significar, portas abertas à estreia barreirense desta promessa mais que certa.

Leonor Arnaut & Ricardo Martins

Apresentação (até agora) rara deste duo que junta Leonor Arnaut – jovem e super talentosa vocalista de formação clássica e jazz cujo percurso, apesar da tenra idade, já revela trabalho com gente como Norberto Lobo e Yaw Tembe – a Ricardo Martins, veterano (já se pode dizer) baterista e multifacetado artista que, tendo obtido tão cedo a imortalidade com os Lobster, vem desde há mais de uma década a trilhar um percurso em nome próprio cada vez mais rico e diversificado, entre múltiplas configuração de bateria solo e colaborações em projetos como Bruxas/Cobras e Algumacena ou a integrar lendas como os Pop Dell’Arte, entre tantos outros exemplos possíveis.

 

Leonor e Ricardo editaram, em 2022, o intrigante e belo disco “Breathing Waterline”, feito de recursos mínimos: voz, sintetizador modular, alguma percussão e processamento juntos para um dos lançamentos mais merecedores do epíteto “ovni” aqui nos últimos anos pelo rectângulo. Os prazeres do Som e da descoberta estão aqui.

 

Após o concerto, DJ set a cargo do bejense mais barreirense da atualidade, Vítor Domingos.

Alan Courtis & Os Heróis Indianos Romanos Africanos

Sete anos (!) desde a primeira e revolucionária vinda do músico, explorador sonoro e pedagogo argentino Alan Courtis ao Barreiro – para trabalhar criativamente com mais de uma dezena de utentes da Associação NÓS – que entretanto já conhecemos como os “We2” e agora definitivamente como os “Heróis Indianos Romanos Africanos”, e três anos depois da última vinda (cujo maravilhoso concerto, em inícios de pandemia, está disponível na íntegra aqui) regressamos com o maior dos prazeres a este trabalho que se prova, ano após ano, como confirmação do poder transformador da música e a sua capacidade para promover a capacitação, a autonomia e a livre-expressão.

Coadjuvados pelos músicos Bernardo Álvares e Leonardo Bindilatti, Alan Courtis e os “Heróis” voltam a juntar-se para uma semana de criação que culmina numa nova apresentação ao vivo, na Biblioteca Municipal do Barreiro, onde, sobre a música a esperar, pouco se pode dizer – mais do que género ou estilo, é a personalidade de cada elemento e a identidade colectiva criada durante este workshop que certamente se fará ouvir; será seguro especular sobre poesia sonora, psicadelismo, free folk, hinos de futebol adaptados –  mas é escusado agarrar-mo-nos a rótulos e géneros quando a música será, acima de tudo e certamente, intensamente livre e inigualavelmente pessoal.

Noite da Raposa ######

Está de regresso a Noite da Raposa, espaço de imersão e desafio de emergentes nas electrónicas e além: dois palcos na Sala Oficina da ADAO, concertos curtos e quase sem pausas que se vão revezando, noite para desencontros dos bons e arranque oficial de um ano (é quando um Homem quiser, também) que se quer feliz.

Esta Raposa cardinal Meia-Dúzia traz-nos, desta vez, o vale-tudo mágico das ZIMA, duo de Sara Zita Correia e Marta Ramos que vem encantando desde o seu trabalho na Bolsa de Criação OUT.RA em 2020; as explorações de guitarra ritual de ZARYA, artista multidisciplinar que tem feito de Lisboa a sua casa; a electrónica para combater “o aborrecimento de viver no campo” da caldense SUPPERMINER; os loops instrumentais swingados com alma do angolano OSEIAS; a exaltação do house e a ligação óbvia (?) entre Detroit, Chicago e o Barreiro (pista: fábricas e vento) pelas mãos de Mel das Peras e Thep aka THE WORLD ACCORDING TO MEL & THEP e, last but definitely not least, a violenta mas beatífica massagem harsh noise de SHIKABALA (que também é Aires e também é membro de Peak Bleak e Fashion Eternal).

Pedro Alves Sousa em residência artística no AMAC

Ao longo da última semana temos acolhido no Barreiro o saxofonista e compositor extraordinaire Pedro Alves Sousa, em residência artística no Auditório Municipal Augusto Cabrita, onde o músico tem vindo a trabalhar e avançar na sua ópera/instalação/performance “A Vaia Viva”, adaptação sua do conto “Las babas del diablo”, de Julio Cortázar.

Nesta residência o foco principal está centrado no desenvolvimento da composição sonora com recurso a amplificadores e máquinas de bobine (reel-to-reel), e no domingo, dia 27, convidamos todos para uma apresentação do trabalho até agora realizado, em jeito de ensaio aberto, na sala de trabalho utilizada pelo músico, bem nos interstícios do AMAC.

A entrada é livre, e o público deve dirigir-se ao átrio principal do Auditório, pelas 17h, para que em grupo nos possamos dirigir, por escadarias e corredores meio secretos, ao encontro do músico.

METTE RASMUSSEN Trio North

5€ / 2,5€ sub-25

 

Mette Rasmussen, saxofone

Ingebrigt Håker Flaaten, contrabaixo

Olaf Olsen, bateria

 

“Jazz you liked when you were a kid and jazz you did not know you liked”

Saxofonista dinamarquesa residente na Noruega, Mette Rasmussen é há quase uma década uma voz que expressa na perfeição a crueza, o poder e o fogo do jazz num meio que tantas vezes ainda se define no masculino. 

Com um currículo que mostra bem a sua capacidade de se lançar nesse campo quase exclusivo (já colaborou com, entre outros, Paul Flaherty, Chris Corsano, Joe McPhee ou Ken Vandermark), mas também de se fazer ouvir em contextos diversos (andou em tournée fazendo, a solo, a primeira parte dos Godspeed You! Black Emperor por exemplo), chega pela primeira vez ao Barreiro com o seu novo Trio North, acompanhada por nomes fortes da cena jazz norueguesa, antes de se apresentar no Jazz no Parque da Fundação de Serralves.

Spot da Juventude 2022

ENTRADA LIVRE

Está de volta o SPOT da Juventude nas Festas do Barreiro! De 12 a 21 de Agosto, vão ser dez dias de concertos das mais interessantes, contemporâneas e diversas manifestações alternativas. Festas da cidade há em todo o país, mas o SPOT é no Barreiro!

O SPOT da Juventude é um trabalho conjunto da OUT.RA, ADAO, Gasoline, Hey Pachuco e da Câmara Municipal do Barreiro.

 

Sexta 12

Evento Facebook

23h00-24h00 - Chica

 

24h00-01h00 - Pás de Problème

 

01h00-02h00 - George Silver (dj set)

 

Sábado 13

Evento Facebook

23h00-24h00 - Maria Reis

 

24h00-01h00 - Cíntia

 

01h00-02h00 - DJ Dadda

 

Domingo 14 (Gasoline)

Evento Facebook

23h00-24h00 - Sunflowers

 

24h00-01h00 - Hetta

 

01h00-02h00 - Yara Punzel (dj set)

 

Segunda 15

Evento Facebook

23h00-24h00 - Walter Walter

 

Terça 16

Evento Facebook

23h00-24h00 - Calamar

 

24h00-01h00 - Real Guns

 

Quarta 17

Evento Facebook

23h00-24h00 - Diáspora

 

24h00-01h00 - Mindel Reggae Family Sound System

Quinta 18

Evento Facebook

23h00-24h00 - Rabu Mazda

 

24h00-01h00 - DJ Jayson Chayzz (dj set)

 

Sexta 19

Evento Facebook

23h00-24h00 - Chillin & Killin

Sábado 20

Evento Facebook

23h00-24h00 - As Docinhas

 

24h00-01h00 - Cookie Jane

 

01h00-02h00 - Phoebe (dj set)

 

Domingo 21

Evento Facebook

23h00-24h00 - África Negra

METTE RASMUSSEN Trio North

5€ / 2,5€ sub-25

 

Mette Rasmussen, saxofone

Ingebrigt Håker Flaaten, contrabaixo

Olaf Olsen, bateria

 

“Jazz you liked when you were a kid and jazz you did not know you liked”

Saxofonista dinamarquesa residente na Noruega, Mette Rasmussen é há quase uma década uma voz que expressa na perfeição a crueza, o poder e o fogo do jazz num meio que tantas vezes ainda se define no masculino. 

Com um currículo que mostra bem a sua capacidade de se lançar nesse campo quase exclusivo (já colaborou com, entre outros, Paul Flaherty, Chris Corsano, Joe McPhee ou Ken Vandermark), mas também de se fazer ouvir em contextos diversos (andou em tournée fazendo, a solo, a primeira parte dos Godspeed You! Black Emperor por exemplo), chega pela primeira vez ao Barreiro com o seu novo Trio North, acompanhada por nomes fortes da cena jazz norueguesa, antes de se apresentar no Jazz no Parque da Fundação de Serralves.

GEORGE SILVER / PUÇANGA

Noite de celebração da criatividade do ‘Grande Barreiro’, com a apresentação dos trabalhos dos bolseiros OUT.RA em 2021: George Silver (André Neves) e Puçanga (Vera Marques). 

Em ambos os casos o trabalho desenvolvido no âmbito da Bolsa de Criação deu origem a nova música: no que diz respeito a George Silver, a noite marca o lançamento do novo disco “Inocente Indecente”, editado em vinil pela Panama Papers. Uma dezena de temas que atravessam territórios transculturais e transcontinentais, entre moods de meditação, de electrónica ou chill ou inquieta, de synthpunk ou languidez de esplanada.

Já Puçanga traz consigo novo EP, "Impish", que é a síntese criativa de todo um processo de investigação desenvolvido ao longo de um ano, em torno da exploração vocal e sonora em vários ciclos de conversas e momentos coletivos realizados em diferentes espaços do Barreiro; dos materiais aí obtidos foi construída a nova Música que agora se estreia.